
Matia
Criatura lendária — Ser não registrado em fontes históricas
A Manticora (persa martyaxwar, 'comedora de homens') e uma besta composta da tradiçao persa antiga, com corpo de leao, rosto humano e cauda de escorpiao. A referencia grega mais antiga esta nos Indika de Ctesias de Cnido (seculo IV a.C.), medico grego na corte persa, que a descreve como uma devoradora de homens indiana de olhos azuis, tres fileiras de dentes como de tubarao e uma cauda que dispara espinhos venenosos como flechas. O relato de Ctesias procede de ouvir-dizer recolhido na corte persa; estudiosos posteriores o leem como uma interpretaçao grega do tigre indiano mesclada com elementos miticos perso-indianos. A Historia natural de Plinio e De natura animalium de Eliano ampliaram a descriçao, e as Etimologias de Isidoro de Sevilha fixaram o latim manticora. Do Bestiario de Aberdeen e do manuscrito Bodley 764 do seculo XII em diante, a manticora tornou-se imagem padrao dos bestiarios medievais, depois emblema heraldico de crueldade e canibalismo. O Manual de Monstros de Gary Gygax de 1977 acrescentou asas de morcego e padronizou a manticora moderna na fantasia.
Origem
A fonte grega mais antiga sao os Indika de Ctesias (seculo IV a.C.), que o medico de Cnido compos durante seu serviço na corte persa. O nome deriva do persa antigo martyaxwar, composto de martya 'homem' e xwar 'comer', literalmente 'comedora de homens'; a transliteraçao grega mantichoras torna-se o latim manticora. Em Ctesias, a manticora e uma besta indiana do tamanho de um leao com rosto humano, tres fileiras de dentes de tubarao, voz como trompete mesclado com flauta e cauda de escorpiao cujos espinhos pode disparar como flechas. A Historia dos animais de Aristoteles II.1 cita brevemente Ctesias. A Historia natural de Plinio o Velho VIII.30 (seculo I d.C.) e De natura animalium de Eliano IV.21 (seculo III) oferecem as descriçoes mais completas. A Descriçao da Grecia de Pausanias IX.21.4 (seculo II) da a primeira leitura racionalista: a manticora e uma descriçao exagerada do tigre indiano. As Etimologias de Isidoro de Sevilha XII.2.31 (seculo VII) fixaram o nome latim, e os bestiarios medievais — o Bestiario de Aberdeen, o manuscrito Bodley 764, o Bestiario de Rochester — completaram a iconografia.
Características
- Corpo de leao com rosto humano
- Olhos azuis e tres fileiras de dentes como de tubarao
- Cauda de escorpiao provida de espinhos venenosos
- Pode disparar os espinhos da cauda como flechas; esgotados, a besta fica enfraquecida
- Voz como trompete mesclado com flauta
- Apetite canibal, preferindo carne humana
Histórias
Na heraldica, a manticora tornou-se emblema de crueldade, predaçao e vingança. Sir William Hastings (1431-1483) da Casa de Hastings ostentava a manticora em suas armas, e familias inglesas como os Radclyffe adotaram a figura canonicamente. Em 1607, o naturalista ingles Edward Topsell tratou a manticora em 'The Historie of Foure-Footed Beastes' como uma entrada de historia natural seria, propagando a iconografia entre os leitores shakespearianos do seculo XVII. Dante no Inferno XVII empregou a besta afim Geriao, manticora-like da fraude, como montaria da descida aos circulos inferiores. O Manual de Monstros de Gygax de 1977 padronizou a manticora com asas de morcego para a fantasia moderna; 'Animais Fantasticos' de J. K. Rowling (2001), Marvel Comics, o filme 'O Aprendiz de Feiticeiro' (2010) e o canon Warhammer Fantasy mantem viva a figura.
Fraqueza
A fraqueza mais clara da manticora e o suprimento finito de espinhos da cauda. Ctesias e Eliano o explicitam: a besta dispara seus espinhos venenosos como flechas, e uma vez esgotados, a manticora se reduz a apenas a força de um leao. Ctesias tambem observa que a manticora nao pode prevalecer contra o elefante indiano, observaçao consonante com o fato de historia natural de que os tigres cedem terreno aos elefantes. A tradiçao dos bestiarios medievais usava a manticora como alegoria da gula, um dos sete pecados capitais, e a alegorese crista a fazia sucumbir a verdade dos apostolos. O tratamento de Dungeons and Dragons de 1977 quantificou o numero de espinhos em vinte e quatro para o equilibrio do jogo, uma convençao que desde entao se tornou padrao nos jogos de fantasia.
Significado cultural
A manticora situa-se no revezamento iconografico da Persia para a Grecia e Roma, ao bestiario latino medieval e dai a fantasia moderna. Os Indika de Ctesias levaram a devoradora de homens oriental a literatura grega, onde Aristoteles, Plinio e Eliano a repetiram e refinaram; as Etimologias de Isidoro no seculo VII fixaram o latim manticora e os bestiarios medievais a teologizaram como emblema da gula ou do canibalismo. Na heraldica, a manticora dos Hastings e outros brasoes ingleses fizeram da figura sinal de crueldade e ameaça; 'The Historie of Foure-Footed Beastes' de Topsell em 1607 propagou a iconografia na erudiçao renascentista. Com o Manual de Monstros de Gygax de 1977 a manticora com asas de morcego tornou-se a imagem canonica da fantasia, sustentada em 'Animais Fantasticos' de Rowling, Marvel Comics, 'O Aprendiz de Feiticeiro' (2010) e o canon Warhammer Fantasy.
Na cultura pop
Ctesias, Indika (seculo IV a.C.) — referencia grega mais antiga a manticoraAristoteles, Historia dos animais II.1 — citaçao breve de CtesiasPlinio o Velho, Historia natural VIII.30 (seculo I d.C.) — descriçao ampliadaEliano, De natura animalium IV.21 (seculo III) — relato classico mais completoPausanias, Descriçao da Grecia IX.21.4 (seculo II) — leitura racionalista do tigre indianoIsidoro de Sevilha, Etimologias XII.2.31 (seculo VII) — latim manticora fixadoEdward Topsell, The Historie of Foure-Footed Beastes (1607) — difusao na historia natural renascentista
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