
Basilisco Desaparecido
Basilisco · Monstro Lendário — Criatura mítica com olhar mortal
O Basilisco (grego basiliskos 'reizinho', latim basiliscus) e o lendario rei das serpentes da historia natural greco-romana e dos bestiarios medievais europeus. A primeira descriçao detalhada esta na Historia natural de Plinio o Velho VIII.33 (por volta de 77-79 d.C.), onde o basilisco e uma pequena serpente de doze dedos de comprimento (cerca de 23 cm) que habita os desertos de Cirene no norte da Africa, com uma marca branca em forma de coroa na cabeça, cujo silvo sozinho dispersa todas as demais serpentes; cujo olhar mata qualquer criatura que o encontre; cujo halito murcha a relva e quebra a pedra; e cujo cadaver permanece venenoso — Plinio relata a anedota de um cavaleiro que atravessou um com uma lança, mas o veneno subiu pelo cabo e matou cavaleiro e cavalo juntos. A partir do seculo XII em diante, bestiarios ingleses como o Bestiario de Aberdeen e MS Bodley 764 remodelaram a figura como hibrido com cabeça, asas e patas de galo e cauda de serpente, identificado com a cocatriz. 'Harry Potter e a Camara Secreta' de J. K. Rowling (1998) fez do basilisco figura canonica da fantasia moderna.
Origem
A etimologia do basilisco e o grego basiliskos, diminutivo de basilios ('rei'), 'reizinho', emprestado ao latim como basiliscus. A fonte literaria detalhada mais antiga e a Historia natural de Plinio o Velho VIII.33 (77-79 d.C.), que descreve o basilisco como pequena serpente do deserto cireneu com marca em forma de coroa, matando por olhar e halito. A traduçao da Septuaginta do Salmo 91.13 rendeu o hebraico pethen ('cobra') como basiliskos, e a Vulgata latina do final do seculo IV o transmitiu como basiliscus, incorporando o basilisco a iconografia crista como a besta que Cristo pisa com o leao. A Collectanea de Solino (seculo III), o De natura animalium de Eliano livros II-III e as Etimologias de Isidoro de Sevilha XII.4.6-9 (seculo VII) reforçam a figura. Nos seculos XII e XIII, o Bestiario de Aberdeen ingles, MS Bodley 764 e bestiarios similares padronizaram o hibrido de cabeça de galo, identificando o basilisco com a cocatriz.
Características
- Forma original: pequena serpente com marca em forma de coroa na cabeça (Plinio)
- Forma medieval: cabeça, asas e patas de galo com cauda de serpente (cocatriz)
- Olhar mortal que mata tudo o que cruza seus olhos
- Halito que murcha a relva e quebra a pedra
- Silvo que dispersa todas as demais serpentes — o rei das serpentes
- Ate o cadaver, sangue e presas sao intensamente venenosos
Histórias
Na iconografia crista, o basilisco tornou-se alegoria da soberba (superbia), um dos sete pecados capitais, e do diabo em pessoa: apoiando-se no Salmo 91.13, Cristo e representado pisando o basilisco junto com o leao. Os relevos da catedral de Burgos do seculo XI e a imagem de Cristo-e-basilisco de Amiens do seculo XII sao exemplos canonicos. Na heraldica, o basilisco aparece nas armas de Guilherme de Wykeham (seculo XIV), e na historia natural do Renascimento o 'Serpentum et Draconum Historia' de Ulisse Aldrovandi (1640) tornou-se a referencia padrao. O 'Ricardo III' de Shakespeare, ato I cena 2, faz Ana desejar que seus olhos sejam 'basiliscos, para feri-lo de morte', citando o olhar mortal, e Dante invoca o basilisco no Inferno XXIV entre as serpentes metamorficas dos ladroes. Na cultura moderna, 'Harry Potter e a Camara Secreta' de J. K. Rowling (1998), os manuais de monstros de Dungeons and Dragons, Assassin's Creed Odyssey e os jogos Witcher preservam o basilisco como figura canonica.
Fraqueza
Tres fraquezas tradicionais sao canonicas. Primeiro, a doninha (ou o mangusto) e imune ao veneno do basilisco e pode mata-lo, tradiçao que Plinio registra primeiro, derivada da generalizaçao grega da relaçao indiana cobra-mangusto. Segundo, o basilisco morre de seu proprio olhar refletido em um espelho, variante atestada em Clemente de Alexandria (seculos II-III) e modelada no motivo Perseu-Medusa-escudo-espelho. Terceiro, o canto do galo mata o basilisco no ato, motivo de bestiario medieval teologicamente paradoxal dada a tradiçao tardo-medieval segundo a qual o basilisco eclode de um ovo posto por um galo. O climax de 'Harry Potter e a Camara Secreta' de 1998, em que Fawkes a fenix cega o basilisco e Harry lhe atravessa a boca com a Espada de Grifinoria, e uma refundiçao moderna desse triplo padrao de fraqueza.
Significado cultural
O basilisco situa-se no revezamento iconografico da historia natural grega atraves da alegoria crista medieval, da ciencia natural renascentista e na fantasia moderna. As traduçoes da Septuaginta e da Vulgata do Salmo 91.13 fizeram do basilisco figura central da arte crista: a besta pisada aos pes de Cristo em Burgos no seculo XI e em Amiens no XII e a imagem iconica. Desde os seculos XII e XIII, o hibrido de cabeça de galo dos bestiarios ingleses identificou o basilisco com a cocatriz, e o 'Serpentum et Draconum Historia' de Aldrovandi de 1640 tornou-se o padrao da historia natural renascentista. O 'Ricardo III' de Shakespeare canonizou 'o olhar do basilisco' como expressao inglesa para um olhar mortal, e a 'Camara Secreta' de J. K. Rowling (1998) fez do basilisco um fixo da fantasia moderna. A figura sobrevive em Assassin's Creed Odyssey, nos jogos Witcher, em Dungeons and Dragons e em Marvel Comics.
Na cultura pop
Plinio o Velho, Historia natural VIII.33 (por volta de 77-79 d.C.) — descriçao detalhada mais antigaSeptuaginta, Salmo 91.13 — hebraico pethen traduzido como basiliskosVulgata latina, Salmo 91.13 (final do seculo IV) — integraçao iconografica cristaSolino, Collectanea (seculo III) — reforço de historia naturalIsidoro de Sevilha, Etimologias XII.4.6-9 (seculo VII) — codificaçao iconografica medievalBestiario de Aberdeen e MS Bodley 764 (seculos XII-XIII) — hibrido de cabeça de galo padronizadoJ. K. Rowling, 'Harry Potter e a Camara Secreta' (1998) — canon da fantasia moderna
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