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Fênix

Phoenix · Ave de Fogo — Pássaro lendário que renasce das chamas

A Fenix (grego Phoinix, latim Phoenix) e a ave imortal da mitologia do Egito antigo e do mundo greco-romano. Ao fim de uma vida de quinhentos anos (ou, segundo outra contagem, do grande ano egipcio de 1461 anos), constroi um ninho de incenso, canela e mirra, ateia fogo a si mesma sobre ele e renasce das proprias cinzas como uma nova jovem fenix. A referencia literaria grega mais antiga esta em Herodoto, Historias II.73 (seculo V a.C.), onde a ave e associada a Heliopolis no Egito; sua raiz verdadeira e o Bennu egipcio, a garça sagrada do deus solar Ra em Heliopolis, figura da primeira luz da criaçao e simbolo da ressurreiçao. Por volta de 96 d.C., 1 Clemente 25 toma a fenix como prova natural da ressurreiçao de Cristo, e dai em diante torna-se imagem padrao da iconografia crista. O fenghuang chines, o Zhar-Ptitsa eslavo e o Simurgh persa sao distintos na origem, mas foram comparados e confundidos com a fenix na mitologia comparada do seculo XIX.

Origem

A referencia grega mais antiga e Herodoto, Historias II.73 (seculo V a.C.), em que a fenix aparece em Heliopolis a cada quinhentos anos para levar seu pai num ovo de mirra ao templo do Sol. Herodoto diz expressamente nao ter visto a ave em pessoa, mas relatar a historia recolhida dos sacerdotes de Heliopolis. A verdadeira raiz iconografica e o Bennu egipcio, a garça cinzenta sagrada de Heliopolis, concebida como a alma de Ra, primeira luz da criaçao e simbolo da ressurreiçao. Por volta de 96 d.C., 1 Clemente 25 toma a fenix como prova natural da ressurreiçao de Cristo, e o Fisiologo (seculos II-IV) consuma a alegorizaçao. Ovidio Metamorfoses XV.392-407 (inicio do seculo I d.C.), Plinio Historia natural X.2, Tacito Anais VI.28 (registrando uma apariçao da fenix em Heliopolis em 34 d.C.) e o poema latino de Lactancio 'De Ave Phoenice' (seculos III-IV) fixam a descriçao canonica.

Características

  • Grande ave de plumagem deslumbrante purpura, escarlate e dourada
  • Vida de quinhentos anos ou do grande ano egipcio de 1461 anos
  • Constroi um ninho de incenso, canela e mirra ao fim da vida
  • Queima-se sobre o ninho e renasce das cinzas
  • Em Herodoto, a cria leva o corpo do pai num ovo de mirra a Heliopolis
  • Raiz iconografica ultima: o Bennu egipcio, garça cinzenta de Heliopolis

Histórias

Na iconografia crista, a fenix e a imagem padrao da ressurreiçao de Cristo desde o final do seculo I. Aparece no mosaico absidal de Santa Pudenciana em Roma, no mausoleu de Gala Placidia em Ravena e nos bestiarios medievais (Bestiario de Aberdeen, MS Bodley 764). Dante a invoca no Inferno XXIV entre as metamorfoses dos ladroes. Elizabeth I da Inglaterra adotou a fenix como sua divisa pessoal, atestada notavelmente no 'Retrato da Fenix' de Nicholas Hilliard, por volta de 1574, em que a ave representa a natureza unica e eterna do soberano. 'A Fenix e a Tartaruga' de Shakespeare (1601), o bale 'O Pa ssaro de Fogo' de Stravinsky (1910), Fawkes de J. K. Rowling em 'Harry Potter e a Camara Secreta' (1998) e a saga 'Dark Phoenix' da Marvel mantem a figura central na cultura popular contemporanea.

Fraqueza

A fenix nao tem predador tradicional, pois a ausencia de mortalidade e sua propriedade definidora. Seu limite constitutivo reside nas condiçoes da ressurreiçao: em Herodoto e Ovidio, a ave deve construir sua pira de incenso, canela e mirra, e o renascimento se da em Heliopolis ou perto do templo do Sol. O ciclo, de quinhentos ou de mil quatrocentos e sessenta e um anos, e absoluto. A alegorese crista aperta essas condiçoes de modo que a morte e o renascimento da fenix coincidam com os de Cristo. A fantasia posterior (notavelmente Dungeons and Dragons) acrescenta a convençao de jogo segundo a qual a fenix e temporariamente vulneravel no momento do renascimento, mas e um acrescimo moderno ausente das fontes classicas.

Significado cultural

A fenix e o coroamento quadrimilenar de uma cadeia iconografica: Bennu egipcio, phoinix greco-romano, signo cristao da ressurreiçao, emblema renascentista da eternidade, personagem da cultura popular moderna. A adoçao por 1 Clemente no final do seculo I como prova da ressurreiçao de Cristo colocou a ave no centro da arte crista medieval, e a adoçao por Elizabeth I como divisa pessoal fez dela emblema da soberania singular renascentista. O fenghuang asiatico oriental (chines), ho-o (japones) e bonghwang (coreano), embora iconograficamente distintos, foram identificados com a fenix nas traduçoes inglesas do seculo XIX, gerando a convençao moderna de traduzir os tres com a unica palavra phoenix. O Zhar-Ptitsa eslavo (imortalizado no bale de Stravinsky de 1910) e o Simurgh persa entraram na mesma familia de mitologia comparada. Na cultura contemporanea, Fawkes de J. K. Rowling, a saga 'Dark Phoenix' da Marvel e o monstro canonico de Dungeons and Dragons renovam a figura.

Na cultura pop

Herodoto, Historias II.73 (seculo V a.C.) — referencia grega mais antiga da fenix em HeliopolisOvidio, Metamorfoses XV.392-407 (por volta de 8 d.C.) — canon latino da pira de canela e mirraPlinio, Historia natural X.2 e Tacito, Anais VI.28 — apariçao da fenix em Heliopolis em 34 d.C.1 Clemente 25 (por volta de 96 d.C.) — primeira adoçao crista como signo da ressurreiçaoLactancio, 'De Ave Phoenice' (seculos III-IV) — canon poetico latinoFisiologo (seculos II-IV) — culminaçao da alegorese cristaJ. K. Rowling, 'Harry Potter e a Camara Secreta' (1998) — Fawkes, a fenix de Dumbledore

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