LoreArc
arbalest
1 / 1
Arbalesta Ver tudo

Arbalesta

A pesada besta de arco de aço

A arbalesta (arbalest) é uma besta pesada do fim da Idade Média que empregava um arco de aço no lugar do antigo compósito de madeira e chifre, com a maior penetração de seu tempo. A força do arco de aço chegava a centenas de quilogramas — impossível de armar à mão —, de modo que era preciso armá-la mecanicamente com um sarilho (windlass, de roldanas) ou um cranequim (de engrenagens). A um alcance útil de mais de 200 m atravessava até a armadura de placas, mas armá-la levava tanto que a cadência era de só um ou dois virotes por minuto. Para compensar, era emparelhada com um portador de pavês, atrás de cujo grande escudo o besteiro se abrigava para recarregar. Disparava um virote curto (quadrelo, cerca de 30 a 40 cm) e exigia pouco treino, de modo que até recrutas ficavam prontos depressa.

Origem

A arbalesta surgiu na Europa dos séculos XII–XIII com os avanços da metalurgia do aço, substituindo a antiga besta compósita de madeira e chifre. Atingiu o auge nos campos de batalha dos séculos XIV–XV como arma de tiro antiarmadura da infantaria, e os besteiros genoveses em particular ganharam fama contratados como mercenários por toda a Europa. Seu avanço central foi a união de um arco de aço com dispositivos de armar mecânicos (sarilho e cranequim). Com a difusão das armas de fogo como o arcabuz no século XVI — uma rival, pois ambas exigiam pouco treino e perfuravam a armadura —, cedeu aos poucos ao fuzil e sobreviveu para a caça e o esporte.

Características

  • Arco de aço — a maior penetração de seu tempo (perfura placas)
  • Armar mecânico com sarilho (windlass) ou cranequim (engrenagens) obrigatório
  • Alcance útil de mais de ~200 m, dispara um virote curto (quadrelo)
  • Cadência lenta, um ou dois virotes por minuto
  • Operada em dupla com um portador de pavês (grande escudo)
  • Pouco treino necessário — recrutas prontos depressa

Histórias

Em cercos e em campo aberto servia de arma de precisão antiarmadura para abater cavaleiros e homens de armas muito protegidos. O atirador armava a corda com a máquina, montava um virote, mirava e disparava abrigado por um pavês, e gastava um longo tempo recarregando. Pela cadência lenta, convinha usá-la em fileiras que disparavam por turnos, ou em combinação com portadores de escudos e piqueiros, antes que sozinha. Era especialmente mortífera onde o atirador estava protegido — defendendo um muro ou uma passagem estreita. Por sua grande potência, um só virote podia atravessar escudo e homem ao mesmo tempo.

Fraqueza

Seu pior defeito era a cadência extremamente lenta, só um ou dois virotes por minuto. No mesmo tempo um arqueiro de arco longo disparava mais de dez, de modo que na refrega rápida ou no corpo a corpo ficava muito superada. Os dispositivos de armar (sarilho, cranequim) eram pesados e complexos, incômodos de carregar e manejar, e uma avaria mecânica a deixava quase inútil. A chuva estragava a corda e o mecanismo (os besteiros genoveses em Crécy são o exemplo clássico), e no combate próximo ficava indefesa, de modo que a proteção de escudos e piques era imprescindível.

Significado cultural

A besta, e entre elas a arbalesta, chocou a sociedade medieval como «a arma com que um plebeu podia matar um cavaleiro». Como um só virote potente podia abater um nobre blindado sem anos de treino, o Segundo Concílio de Latrão de 1139 chegou a proibir a besta na guerra entre cristãos (permitia-se contra os infiéis), proibição que, claro, mal foi cumprida. A morte de Ricardo Coração de Leão, atingido por um virote no cerco de Châlus em 1199, é lembrada como uma ironia caída sobre um rei que prezara a arma.

Na cultura pop

A arbalesta aparece em jogos e fantasia como o arquétipo da «besta pesada, potente mas lenta». Dark Souls inclui uma besta chamada literalmente «Arbalest», e é familiar também como a Heavy Bowgun de Monster Hunter ou os besteiros genoveses de Mount & Blade e Total War. Como com Geralt em The Witcher ou o filme Van Helsing, a besta costuma ser a arma de caçadores de vampiros e monstros. É quase sempre retratada como «lenta de carregar mas letal num só tiro», o que combina bem com seu uso histórico.

Curiosidades

  • O Segundo Concílio de Latrão de 1139 proibiu a besta na guerra entre cristãos — achava-se «cruel e desonroso demais» que um soldado de baixa origem pudesse matar tão facilmente um cavaleiro nobre.
  • Ricardo Coração de Leão da Inglaterra morreu do ferimento de um virote de besta no cerco de Châlus em 1199, sorte que se diz caída sobre um rei que favorecia a besta.
  • A verdadeira vantagem da besta sobre o arco longo era o treino, não a potência: um arqueiro inglês exercitava-se anos desde criança, mas um besteiro formava-se em semanas, por isso os exércitos continentais a preferiam.

Related