
Dokkaebi
Dokkaebi · O duende coreano — Um espírito caprichoso de travessura e riqueza
O Dokkaebi (coreano dokkaebi) e o espirito-yokai representativo do folclore coreano, nascido quando um espirito se aloja em uma velha ferramenta domestica ou em uma vassoura, pilao ou atiçador manchado de sangue humano, e e a figura iconografica decisiva do animismo indigena coreano. O texto mais antigo e a entrada Tohwanyeo e Bihyeongnang no Livro Um da Memorabilia dos Tres Reinos (Samguk Yusa), compilada por Iryeon (1206-1289) em 1281: a alma do falecido rei Jinji de Silla (reinado 576-579) teve relaçao carnal com a donzela Tohwanyeo e gerou um filho, Bihyeongnang, que comandava um bando de espiritos dokkaebi para construir uma ponte em uma unica noite. Esta narrativa e a origem canonica coreana da iconografia do dokkaebi. As ferramentas canonicas sao o dokkaebi-bangmangi (clava magica que realiza desejos) e o dokkaebi-gamtu (chapeu da invisibilidade), e o dokkaebi ama a geleia de trigo sarraceno e o vinho de arroz, aprecia lutas e travessuras, e honra promessas e reciprocidade. O estudo Pesquisas sobre os Contos Populares Coreanos de Son Jin-tae de 1942 demonstrou que o dokkaebi, antes de ser sobreposto pela imagistica chifruda do oni japones durante o periodo colonial, era originalmente uma figura humanoide sem chifres. A serie de televisao tvN Dokkaebi (Goblin) de 2016, transmitida de dezembro de 2016 a janeiro de 2017, globalizou o dokkaebi como canone K-drama.
Origem
A origem iconografica e o animismo indigena coreano: uma crença em espiritos-objeto na qual ferramentas domesticas longamente usadas, ou vassouras, piloes e atiçadores manchados com sangue humano, tornam-se dokkaebi ao serem habitados por um espirito, combinada com o xamanismo coreano (musok) para formar a figura. O texto decisivo e a entrada Tohwanyeo e Bihyeongnang no Livro Um da Memorabilia dos Tres Reinos (Samguk Yusa), compilada pelo monge Iryeon (1206-1289) em 1281: o vigesimo quinto rei de Silla, o rei Jinji (reinado 576-579), foi deposto e morreu, mas sua alma deitou-se com a donzela Tohwanyeo e gerou um filho, Bihyeongnang, que comandava noturnamente um bando de espiritos dokkaebi para realizar trabalhos fora do palacio real, construindo a ponte de Sinwon-sa em uma unica noite e trazendo um dokkaebi chamado Gildal para o harem real. Este e o registro canonico coreano do dokkaebi. Presume-se que Iryeon transcreveu lendas orais de Silla no final do seculo XIII. Textos do periodo Joseon como Yongjae Chonghwa de Seong Hyeon (final do seculo XV) e o anonimo Cheonggu Yadam (inicio do seculo XIX) sistematizaram os contos populares do dokkaebi, e a iconografia canonica como o dokkaebi-bangmangi, o dokkaebi-gamtu, a luta dos dokkaebi e o amor pela geleia de trigo sarraceno estabeleceram-se na tradiçao oral do periodo Joseon.
Características
- Nasce quando um espirito se aloja em um objeto longamente usado ou em uma vassoura ou pilao manchado de sangue
- Realizaçao de desejos pelo dokkaebi-bangmangi — a clava magica canonica do 'iSaia o ouro!'
- Poder de invisibilidade ao usar o dokkaebi-gamtu (chapeu da invisibilidade)
- Natureza caprichosa que ama a luta, as travessuras e as apostas
- Ama a geleia de trigo sarraceno e o vinho de arroz e honra promessas e reciprocidade
- Uma fraqueza comica canonica: virar a esquerda em uma luta expoe sua vulnerabilidade
Histórias
Estabelecido como personagem central dos contos populares orais do periodo Joseon, o dokkaebi tornou-se o motivo central de contos canonicos como Heungbu-jeon, Kongjwi e Patjwi, O Dokkaebi-gamtu e O Velho do Lobanilho. O Velho do Lobanilho — no qual um dokkaebi confunde o lobanilho de um velho cantor com a fonte de sua bela voz e o recompensa com ouro e prata por remove-lo, mas quando um vizinho ganancioso imita a cançao, o dokkaebi descobre o engano e anexa tambem o lobanilho do primeiro velho ao vizinho, deixando-o duplamente lobanilhoso — e o conto didatico canonico do dokkaebi. A partir da decada de 1980, o dokkaebi-bangmangi e o dokkaebi-gamtu foram estabelecidos como iconografia canonica para crianças nos contos de fadas e livros didaticos coreanos. A serie dramatica tvN Goblin (Dokkaebi: O Deus Solitario e Grandioso), transmitida de 2 de dezembro de 2016 a 21 de janeiro de 2017 (escrita por Kim Eun-sook, dirigida por Lee Eung-bok, com Gong Yoo como Kim Shin, Lee Dong-wook como o Ceifador e Kim Go-eun como Ji Eun-tak), reinterpretou o dokkaebi como um heroi tragico da vida eterna, alcançando um indice medio de audiencia de 12,8 por cento e um pico de 20,5 por cento — o mais alto na historia da televisao a cabo coreana — e foi transmitida em mais de cem paises via Netflix, estabelecendo o dokkaebi no canone global do conteudo K. Ganhou sete categorias nos Premios de Artes Baeksang 2017, incluindo Melhor Drama, Melhor Direçao e Melhor Roteiro.
Fraqueza
As fraquezas do dokkaebi sao: (1) sangue de cavalo — no folclore coreano o dokkaebi aborrece extremamente o sangue de cavalo, e panos vermelhos untados com sangue de cavalo ou amuletos feitos de sangue de cavalo sao dispositivos apotropaicos canonicos; (2) trigo sarraceno — o dokkaebi ama a geleia de trigo sarraceno e os macarroes de trigo sarraceno, mas tambem existe o motivo no qual o trigo sarraceno espalhado de uma tigela faz o dokkaebi desaparecer instantaneamente; (3) a regra da promessa e da aposta — o dokkaebi esta rigidamente ligado as promessas uma vez feitas e as regras da luta e da aposta, e muitos contos populares exploram essa rigidez para enganar o dokkaebi; (4) virar a esquerda — ao lutar com um dokkaebi, virar a esquerda expoe sua vulnerabilidade, permitindo que um humano triunfe; esta e a fraqueza comica canonica; (5) canto do galo ao amanhecer — sendo noturno, o dokkaebi desaparece instantaneamente quando o galo canta, deixando apenas a vassoura ou pilao no qual havia residido. Na serie tvN Goblin de 2016, a concepçao de que apenas a noiva do dokkaebi (Kim Go-eun como Ji Eun-tak) pode tirar a espada incrustada no peito do dokkaebi imortal Kim Shin — uma variaçao moderna do motivo original da fraqueza — tornou-se canonica.
Significado cultural
O dokkaebi nao e simplesmente um yokai, mas um canone cultural na encruzilhada da crença indigena coreana, da identidade nacional e da politica representacional do dominio colonial japones. Durante o periodo colonial (1910-1945), os academicos japoneses identificaram o dokkaebi com o oni japones, retratando-o como chifrudo e vestido com pele de tigre, uma iconografia que foi disseminada atraves das ilustraçoes dos livros didaticos escolares das decadas de 1920 e 1930 e distorceu a imagistica popular coreana do dokkaebi. A publicaçao das Pesquisas sobre os Contos Populares Coreanos de Son Jin-tae (1900-?) de 1942 demonstrou academicamente a diferença iconografica entre o dokkaebi coreano e o oni japones — que o dokkaebi coreano era originalmente um humanoide sem chifres, peludo, que amava a geleia de trigo sarraceno — e se ergue como o estudo folclorico coreano canonico. Kim Yeol-gyu (1932-2013) perpetuou-o em A Mitologia do Povo Coreano (1988), e Park Eun-bong em estudos folcloricos sobre o dokkaebi (1996). O sucesso mundial da serie tvN Goblin de 2016, escrita por Kim Eun-sook e dirigida por Lee Eung-bok, foi o evento decisivo na canonizaçao da tradiçao K-drama Hallyu, revivendo a iconografia folclorica coreana do dokkaebi na cultura popular global do seculo XXI. A iniciativa da Fundaçao do Patrimonio Cultural Coreano de 2020 para inscrever o dokkaebi como patrimonio cultural imaterial e a exposiçao especial do Museu Nacional do Folclore da Coreia de 2023 sobre o dokkaebi lideraram o restabelecimento academico e popular da iconografia do dokkaebi.
Na cultura pop
Iryeon, Memorabilia dos Tres Reinos (Samguk Yusa), Livro Um, Tohwanyeo e Bihyeongnang (1281) — registro textual mais antigo do dokkaebiSeong Hyeon, Yongjae Chonghwa (final do seculo XV) — sistematizaçao Joseon-precoce dos contos populares do dokkaebiCheonggu Yadam (inicio do seculo XIX) — canone decisivo dos contos populares Joseon-tardios do dokkaebiO Velho do Lobanilho, tradiçao oral — conto didatico canonico do dokkaebi no periodo JoseonSon Jin-tae, Pesquisas sobre os Contos Populares Coreanos (1942) — distinçao academica entre dokkaebi coreano e oni japonesKim Yeol-gyu, A Mitologia do Povo Coreano (1988) — canone moderno do folclore do dokkaebiSerie tvN Goblin (Dokkaebi: O Deus Solitario e Grandioso) (2016) — globalizaçao da iconografia do dokkaebi como conteudo KTransmissao mundial de Goblin na Netflix (2017) — canonizaçao global da iconografia do dokkaebiExposiçao especial sobre o dokkaebi no Museu Nacional do Folclore da Coreia (2023) — restabelecimento academico e popular
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